sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Cavaco anuncia tempos dificeis

Feliz ano novo para todos!

Cavaco anuncia um "ano muito difícil"
Presidente pede aos dirigentes políticos que dêem verdade e não ilusões
00h30m
ISABEL TEIXEIRA DA MOTA
Sem deixar resvalar o discurso de Ano Novo para o desânimo, Cavaco Silva lançou dois avisos sérios. Um ao Governo, para que reavalie alguns investimentos públicos dispendiosos. Outro às forças políticas, para que sejam mais responsáveis.
Em face de "um ano muito difícil" - "receio o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social" -, o chefe de Estado não escondeu, na mensagem que dirigiu ontem ao país, dúvidas sobre a política económica do Governo. E avisou que as ilusões custam caro. Cavaco não só se distanciou da promoção de despesa pública que possa agravar os desequilíbrios orçamentais do país, como indicou o caminho que Portugal deve seguir para sair da "quase estagnação económica em que tem estado mergulhado".
Esse caminho, declarou, passa pela "aposta em sectores vocacionados para a exportação", pela "redução da ineficiência e dependência do exterior em matéria de energia" e pela "alteração da estrutura produtiva para mais qualidade de inovação e conteúdo tecnológico". Além disso, acrescentou, "os dinheiros públicos têm de ser usados com rigor e eficiência". "Há que prestar uma atenção acrescida à relação custo-benefício dos serviços e investimentos públicos", avisou.
Sem fazer a mínima referência à polémica com o estatuto dos Açores, o presidente não deixou, no entanto, de apelar à "verdade" e à "responsabilidade".
Dirigindo-se directamente aos partidos, Cavaco sublinha que "os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está de facto centrada no combate à crise". E continua: "as dificuldades que o país enfrenta exigem que os agentes deixem de lado as querelas que em nada contribuem para melhorar a vida dos que perderam o emprego, dos que não conseguem suportar os encargos da prestação das suas casas ou da educação dos seus filhos, daqueles que são obrigados a pedir ajuda para as necessidades básicas da família".
Este ano, Cavaco Silva lembrou particularmente dois grupos sociais que, disse, "são frequentemente esquecidos e que vivem tempos difíceis". São eles os pequenos comerciantes e os agricultores. "O pequeno comércio deve merecer uma atenção especial porque constitui a única base de rendimento de muitas famílias".

Parece que o nosso presidente decidiu anunciar o que todos já sabíamos...

Maria João Barata

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